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Direito Constitucional · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Constitucional

Em sede de ação civil pública ajuizada em face da União, o Juiz Federal competente proferiu decisão liminar, determinando, sob pena de multa diária, que a Defensoria Pública da União lotasse um Defensor Público Federal na Seção Judiciária Alfa. Por entender que a decisão afrontou prerrogativas e a forma de organização da Defensoria Pública da União, conforme previstas na Constituição da República, essa Instituição ingressou com suspensão de liminar perante o Supremo Tribunal Federal. Considerando a sistemática estabelecida na Constituição da República de 1988, é correto afirmar que

Gabarito: B

A Defensoria Pública da União é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, com autonomia funcional e administrativa, nos termos do art. 134 da Constituição e da LC 80/1994. Isso significa que ela não funciona como um simples setor da União: ela tem estrutura própria e prerrogativas institucionais que precisam ser respeitadas. Na questão, o juiz federal determinou que a DPU lotasse um Defensor Público Federal em certa Seção Judiciária, sob pena de multa diária. O problema é que o Judiciário não pode, de forma automática, impor medida que interfira na organização interna da instituição, como se fosse comando de gestão administrativa. Se há afronta à autonomia da DPU, ela pode se insurgir para preservar suas prerrogativas institucionais. Por isso, a alternativa B está correta: se a decisão judicial atinge a autonomia administrativa da Defensoria Pública da União, ela tem legitimidade para pedir suspensão de liminar. A lógica é simples: quem sofre a lesão institucional pode buscar a suspensão do ato que produz grave impacto à ordem, à saúde, à segurança ou à economia públicas, inclusive quando a ofensa recai sobre a organização constitucionalmente protegida da instituição. Em resumo: a DPU não é um braço da União sem personalidade institucional relevante para esse tipo de defesa. Ela tem autonomia e pode atuar em juízo para proteger sua própria estrutura e funcionamento, especialmente quando a decisão judicial tenta ditar sua organização interna.

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