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Direito Constitucional · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

Ao promotor de justiça André lotado em Promotoria da Infância e Juventude da capital do Estado Beta, após processo administrativo disciplinar (PAD) que tramitou perante o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), foi aplicada sanção disciplinar em razão de ter incorrido em faltas injustificadas no órgão de execução de que é titular, prejudicando o andamento de procedimentos que por lá tramitam. Inconformado com a punição, o promotor de justiça André ajuizou ação ordinária em face da União e do Estado Beta, perante uma Vara Federal da capital do Estado Beta, pretendendo a declaração de nulidade da sanção disciplinar aplicada pelo CNMP, por ofensa ao contraditório e à ampla defesa durante o PAD. Consoante atual jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, a competência para processar e julgar a ação manejada pelo promotor é do(a):

Gabarito: A

A lógica aqui gira em torno do tipo de ato praticado pelo CNMP. Quando o Conselho atua no exercício de sua função constitucional de controle da atuação administrativa e disciplinar do Ministério Público, ele pratica ato ligado à sua atividade finalística, e isso puxa a competência originária do STF em ações que busquem desconstituir esse ato. Em outras palavras: não é uma briga comum contra a União ou contra o Estado, mas um questionamento direto de decisão de órgão de cúpula constitucional. O ponto central está na jurisprudência do STF, que trata os atos do CNMP, quando inseridos em sua competência constitucional de controle disciplinar, como sujeitos à jurisdição da Suprema Corte em hipóteses de impugnação direta. A ideia é preservar a uniformidade e o controle concentrado sobre a atuação desses Conselhos nacionais. Por isso, a ação ordinária proposta por André não fica na Vara Federal da capital, nem vai para a Justiça Estadual ou para o STJ. O que define o foro, nesse tipo de questão, é a natureza do ato questionado e a posição institucional do CNMP, e não o local dos fatos do PAD. Como o enunciado fala em sanção disciplinar aplicada pelo CNMP em sua atividade finalística, a resposta correta é STF. Resumo de prova: se a questão envolver controle judicial de ato disciplinar do CNMP, pense primeiro na competência do STF. A banca gosta de trocar o foco para o local do fato ou para o endereço da ação, mas o que manda é a natureza constitucional do ato.

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