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Direito Constitucional · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

Alguns vereadores de oposição constataram que o Chefe do Poder Executivo do Município Alfa, situado no território do Estado Beta, deixou de prestar contas correspondentes aos dois últimos exercícios financeiros, o que dificultou sobremaneira a identificação da forma como foram implementadas certas políticas públicas e realizadas determinadas despesas. Irresignados com esse estado de coisas, consultaram um advogado a respeito da possibilidade de ser decretada a intervenção estadual no Município Alfa. O advogado respondeu corretamente que a intervenção cogitada pelos vereadores

Gabarito: A

A intervenção estadual em Município é uma medida excepcional, quase um "freio de emergência" do sistema federativo. A Constituição lista hipóteses taxativas no art. 35, e uma delas é justamente a falta de prestação de contas devidas, na forma da lei (art. 35, II). Aqui, como o prefeito deixou de prestar contas de dois exercícios financeiros, o cenário encaixa nessa hipótese. E qual é o procedimento? Nos casos dos incisos I e II do art. 35, o Governador do Estado decreta a intervenção por iniciativa própria, sem precisar de requisição do Tribunal de Justiça ou do Tribunal de Contas. Depois, o decreto deve ser submetido à apreciação da Assembleia Legislativa em 24 horas, nos termos do art. 36, §1º, da Constituição. Ou seja: houve motivo constitucional para intervir, o ato é do Governador e o controle político posterior fica com a Assembleia. Nada de TJ, nada de representação interventiva, porque isso é coisa de outra hipótese, a do art. 35, IV. Por isso, o gabarito é a alternativa A: a situação narrada autoriza a intervenção estadual e o procedimento descrito por ela está de acordo com a Constituição.

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