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Direito Constitucional · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

O Tribunal de Contas do Estado Alfa, ao apreciar as contas de governo apresentadas pelo prefeito do Município Beta nos três últimos exercícios financeiros, detectou a não aplicação do mínimo exigido da receita municipal em ações e serviços públicos de saúde. Em razão desse estado de coisas, o prefeito foi informado sobre a existência de um forte movimento popular para que seja decretada a intervenção do Estado Alfa no Município Beta. Essa intervenção, considerando a narrativa apresentada, é da modalidade:

Gabarito: E

A intervenção do Estado no Município é um mecanismo excepcional, usado quando a autonomia municipal entra em choque com uma regra constitucional importante. No caso da questão, o problema é a não aplicação do mínimo constitucional em ações e serviços públicos de saúde, hipótese prevista no art. 35, III, da Constituição Federal. Ou seja, o Estado pode intervir para fazer cumprir a Constituição quando o Município descumpre esse piso mínimo. Aqui entra a classificação que a FGV adora: essa intervenção é espontânea, porque nasce da iniciativa do próprio Governador, e não depende de provocação formal de outro órgão como condição para o decreto. Em outras palavras, não é uma intervenção “pedida” por Tribunal, Ministério Público ou Assembleia como requisito constitucional. O procedimento correto está no art. 36, II, da CF: o decreto de intervenção é expedido pelo Governador do Estado e depois submetido à apreciação da Assembleia Legislativa, no prazo de 24 horas. Reparou no detalhe? A Assembleia não decreta a intervenção, ela apenas aprecia depois. Nada de inverter a ordem. Por isso o gabarito é a letra E. A situação descrita encaixa-se na hipótese do art. 35, III, e o rito é o do art. 36, II: decreto do Governador com posterior controle político pela Assembleia Legislativa.

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