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Direito Constitucional · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

Após ampla mobilização dos servidores públicos civis do Município Alfa, o Prefeito Municipal, no presente exercício, apresentou projeto de lei que deu origem à Lei ordinária nº XX/2021, criando o regime próprio de previdência social. Irresignado com a promulgação desse diploma normativo, um partido político de oposição solicitou que sua assessoria analisasse a compatibilidade formal com a Constituição da República, sendo respondido corretamente que a Lei ordinária nº XX/2021 é

Gabarito: A

A previdência dos servidores públicos tem um desenho constitucional bem amarrado. A Constituição, no art. 40, permite regime próprio de previdência social para servidores titulares de cargo efetivo, mas esse sistema foi endurecido pela Emenda Constitucional 103/2019. A grande virada é simples: hoje não se abre mais um novo RPPS como se fosse balcão de atendimento. A regra passou a vedar a criação de novos regimes próprios de previdência social. Por isso, quando o Município Alfa edita lei ordinária em 2021 criando um RPPS, há problema formal de compatibilidade com a Constituição. Não é questão de conveniência administrativa nem de autonomia política do município: a autonomia municipal existe, mas dentro dos limites constitucionais. Previdência social é matéria fortemente condicionada pelo texto constitucional e pelas normas gerais da União. Então o gabarito A está correto porque a lei municipal nasceu com vício de inconstitucionalidade formal-material no ponto em que institui algo que a ordem constitucional pós-EC 103 não autoriza mais. Em termos práticos: o município não pode, por lei local, inaugurar novo regime próprio de previdência social. Resumo de prova: município tem autonomia, sim, mas não pode inventar um RPPS novo só porque quer organizar melhor seus servidores. Em Previdência, a Constituição manda mais alto que o entusiasmo local.

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