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Direito Constitucional · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

O Tribunal de Contas do Estado Alfa julgou as contas de gestão do Prefeito do Município Beta, situado no interior do Estado. Em razão das graves irregularidades detectadas, aplicou-lhe multa e realizou a imputação de débito, determinando o ressarcimento do valor total do prejuízo causado ao Erário. À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que o proceder do Tribunal de Contas do Estado Alfa está

Gabarito: D

Aqui a ideia central é simples: prefeito não é julgado pelo Tribunal de Contas como se fosse um gestor qualquer. Pela Constituição, especialmente o art. 31, as contas do Prefeito são apreciadas pelo Tribunal de Contas, que emite parecer prévio, e o julgamento cabe à Câmara Municipal. Esse parecer só deixa de prevalecer se houver decisão de 2/3 dos vereadores em sentido diferente. Então, quando o TCE "julgou" as contas do prefeito, aplicou multa e ainda imputou débito como se estivesse encerrando o caso, ele passou do limite constitucional. Para as contas de governo do chefe do Executivo municipal, o Tribunal de Contas não faz o julgamento final, ele faz controle técnico e encaminha sua opinião. A lógica por trás disso é separar fiscalização técnica de julgamento político-institucional. O Tribunal analisa os números e a legalidade, mas quem decide politicamente sobre as contas do prefeito é o Legislativo municipal. É aquele clássico da Constituição: o TCE opina, a Câmara decide. Por isso o gabarito D está correto. A banca cobrou a regra constitucional de competência: contas do Prefeito Municipal são apreciadas pelo Tribunal de Contas com parecer prévio, e o julgamento é da Câmara Municipal. Se houver dúvida, pense sempre no art. 31 da CF/88.

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