← Questões de Direito Constitucional

Direito Constitucional · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

João, servidor público federal, recebeu, como parte de seus vencimentos no mês de fevereiro de 2022, pagamento indevido decorrente de erro administrativo. O valor recebido a maior não foi pago por interpretação errônea ou equivocada da lei pela Administração Pública Federal, mas se deu devido a erro de cálculo praticado por servidores do departamento de recursos humanos responsáveis pela folha de pagamento de pessoal. No caso em análise, de acordo com a atual jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, João:

Gabarito: E

Aqui o ponto central é distinguir dois tipos de erro da Administração. Quando o pagamento indevido decorre de interpretação errada da lei, o STJ costuma tratar com mais cautela. Mas, quando o erro é material, operacional ou de cálculo, a lógica muda: se o servidor recebeu de boa-fé e não havia como perceber a falha, não cabe exigir devolução. Em outras palavras, o sistema errou, o servidor não precisa virar caixa da União por conta disso. A jurisprudência atual do Superior Tribunal de Justiça é firme nesse sentido: verbas pagas indevidamente por erro administrativo de cálculo, percebidas de boa-fé objetiva pelo servidor, não são devolvidas quando ele não tinha meios de identificar o equívoco. Esse entendimento aparece em vários julgados e é associado à proteção da confiança e à boa-fé objetiva. Por isso a alternativa E está correta: ela condiciona a não devolução à boa-fé objetiva e à impossibilidade de o servidor perceber o pagamento indevido. Isso é exatamente o raciocínio do STJ para erro operacional da folha de pagamento. Já a ideia de devolução automática, só porque houve pagamento a maior, não prevalece nesse cenário. O foco não é punir o servidor por um erro que ele não causou nem podia detectar, especialmente quando o caso não envolve má-fé, fraude ou conluio.

Continue treinando

Questões relacionadas