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Direito Constitucional · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

João nasceu em território brasileiro quando seus pais, de nacionalidade francesa, aqui trabalhavam a serviço do governo francês, na respectiva embaixada. Poucos meses após o nascimento, foi levado para a França e jamais retornou ao Brasil. Trinta anos depois, casou, no território francês, com Maria, brasileira nata. Dessa União advieram filhos, todos nascidos na França, sendo adquiridos bens imóveis naquele País e no Brasil. Com o falecimento de João, Maria e seus filhos procuraram um advogado e o questionaram a respeito da lei aplicável na sucessão dos bens situados no território brasileiro. O advogado respondeu corretamente que, de acordo com a ordem constitucional,

Gabarito: B

Aqui a primeira armadilha é a nacionalidade do João. Apesar de ter nascido no Brasil, ele não é brasileiro nato, porque os pais eram franceses e estavam a serviço do governo francês na embaixada. A Constituição faz essa ressalva no art. 12, I, "a": nascer em território brasileiro não basta quando os pais estrangeiros estão a serviço do seu país. Resolvido isso, entra a regra da sucessão de bens de estrangeiro situados no Brasil. O art. 5, XXXI, da Constituição diz que essa sucessão será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que a lei pessoal do falecido não lhes for mais favorável. Ou seja: a proteção existe para evitar que a família brasileira fique em situação pior por causa da lei estrangeira. No caso, Maria é brasileira nata, então ela é exatamente a pessoa protegida pela norma constitucional. A lei brasileira pode ser aplicada na sucessão dos bens situados no Brasil se isso for mais vantajoso para ela. Os filhos, por sua vez, não foram descritos como brasileiros, então não dá para presumir esse benefício em relação a eles. Por isso o gabarito é a alternativa B: João era estrangeiro, e a sucessão dos bens localizados no Brasil pode ser regulada pela lei brasileira em favor de Maria, se essa solução for mais favorável do que a lei pessoal do de cujus.

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