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Direito Constitucional · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

Em razão do elevado número de ilícitos praticados por condutores de veículos automotores e da evidente sobrecarga gerada no caixa das companhias seguradoras sediadas em seu território, o Município Alfa aprovou a Lei nº XX, dispondo sobre a necessidade de ser apresentado exame de alcoolemia, com resultado negativo, para que os motoristas pudessem receber a indenização contratada. À luz da divisão constitucional de competências, é correto afirmar que a Lei nº XX é formalmente

Gabarito: B

A Constituição distribui competências entre os entes federativos para evitar que cada um saia legislando sobre tudo, como se fosse um “cada um por si” normativo. No caso da questão, a lei municipal criou uma exigência para o recebimento de indenização securitária, isto é, mexeu com matéria ligada a contratos, responsabilidade civil e seguro. Isso não é assunto de interesse local em sentido estrito, nem tema típico de atuação legislativa municipal. Aqui entra o ponto-chave: a disciplina de direito civil e de seguros é, em regra, competência privativa da União, nos termos do art. 22, I, da Constituição. Além disso, a regra criada pelo Município Alfa interfere diretamente na relação contratual entre segurado e seguradora, algo que extrapola a autonomia legislativa municipal. Por isso, a lei é formalmente inconstitucional. O vício é de competência: o Município legislou onde a Constituição reservou a matéria à União. Esse é o motivo pelo qual o gabarito é a letra B. Em prova, quando a banca vê município tentando regular contrato, seguro, indenização ou tema de direito privado, acende o alerta vermelho. Resumo prático: Município pode legislar sobre interesse local, sim, mas não pode invadir competência privativa da União nem reinventar regras de seguro por conta própria. A Constituição gosta de limites, e o concurso também.

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