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Direito Constitucional · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

Joana e sua família contrataram com a companhia aérea ZZ o serviço de transporte aéreo internacional do Brasil para a Espanha, com passagens de ida e volta. Ao desembarcarem no destino, juntamente com os demais passageiros, constataram que sua bagagem tinha se extraviado. Assim que retornaram ao Brasil, Joana e sua família ajuizaram ação de reparação de danos em face da companhia aérea ZZ, com base no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Em sua defesa, a companhia argumentou com a existência de convenção internacional (CI), devidamente ratificada pelo Estado brasileiro antes da promulgação da Constituição da República de 1988, cuja aplicação resultaria na fixação de indenização em patamares sensivelmente inferiores. Acresça-se que a sede da multinacional está situada em país que igualmente ratificou a convenção. À luz da sistemática constitucional, o juiz de direito, ao julgar a causa, deve aplicar, nas circunstâncias indicadas:

Gabarito: B

Essa questão mistura dois assuntos que a FGV adora colocar na mesma panela: proteção do consumidor e transporte aéreo internacional. Em regra, o CDC protege muito bem o passageiro, mas no transporte internacional de pessoas e bagagens existe uma regra constitucional específica para o tema. A Constituição, no art. 178, determina que a ordenação do transporte aéreo observe os acordos firmados pela União, desde que haja reciprocidade. Ou seja, se existe convenção internacional aplicável ao voo internacional, ela não fica de enfeite na prateleira: ela orienta a solução do caso, inclusive quando tratar de indenização por extravio de bagagem. Foi exatamente esse o entendimento consolidado pelo STF no Tema 210 da repercussão geral: nas relações de transporte aéreo internacional, as convenções internacionais prevalecem sobre o CDC no que forem conflitantes, especialmente quanto aos limites de responsabilidade civil. Então, se a convenção ratificada pelo Brasil prevê indenização menor, é ela que deve ser aplicada ao caso. Por isso o gabarito é a letra B. A existência de contrato de ida e volta, o fato de o voo ser internacional e a reciprocidade com o país da sede da empresa reforçam a incidência da convenção, afastando a solução puramente pelo CDC.

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