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Direito Constitucional · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

Ana, praticante fervorosa da religião XX, se inscreveu no concurso público de provas e títulos para o provimento do cargo YY. Após ter sido aprovada em duas fases do certamente, constatou, pela publicação no diário oficial, que a prova correspondente à terceira fase do certame foi marcada justamente para uma data em que a sua religião professava a necessidade de uma profunda reflexão espiritual, com a realização de jejum e a proibição de contato com outras pessoas. Por tal razão, Ana pretendia realizar a prova em outra data. Considerando os balizamentos a serem observados para a proteção da liberdade religiosa e as características do Estado brasileiro, é correto afirmar que

Gabarito: E

A liberdade religiosa no Brasil é protegida com força constitucional: a Constituição assegura a liberdade de crença e de culto e, ao mesmo tempo, impede que o Estado trate a religião como detalhe irrelevante quando isso gerar discriminação indevida. Mas isso não significa privilégio automático nem obrigação de adaptar tudo a qualquer crença, porque também valem a isonomia, a impessoalidade e a razoabilidade. No caso de concursos públicos, o ponto central é que a Administração deve analisar o pedido de acomodação religiosa de forma motivada, verificando se é possível ajustar a data ou o horário sem prejudicar os demais candidatos e sem impor ônus desproporcional ao Poder Público. Ou seja, não é um direito absoluto de remarcar em qualquer hipótese, mas também não pode haver recusa automática só porque o concurso é público. Esse equilíbrio é exatamente o que aparece na alternativa E: a solução depende de decisão administrativa fundamentada, considerando a igualdade entre os candidatos e a ausência de custo excessivo ou desorganização desproporcional. Esse raciocínio está em linha com a proteção constitucional da liberdade religiosa e com a jurisprudência do STF sobre a necessidade de acomodação razoável em situações de crença e prova, sem transformar a laicidade do Estado em hostilidade à religião. Em prova, pense assim: o Estado é laico, mas não é surdo à religião. Ele não pode favorecer fé alguma, mas também não pode ignorar um pedido legítimo quando houver meio razoável de compatibilizar os direitos em jogo.

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