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Direito Constitucional · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

Maria e João foram presos em operação organizada pela Polícia Militar do Estado Alfa, destinada ao combate ao tráfico ilícito de substâncias entorpecentes. A seu ver, aspectos circunstanciais, não incorporados ao auto de prisão em flagrante, no qual somente foram ouvidos dois dos policiais envolvidos, seriam suficientes para descaracterizar a tipificação de tráfico. Por tal razão, o seu advogado solicitou à Polícia Militar a identificação dos demais policiais responsáveis pela prisão, já que todos estavam encapuzados e sem identificação naquele momento. O requerimento foi negado sob o argumento de que a medida era necessária para resguardar a segurança pessoal dos policiais. À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que a negativa da Polícia Militar foi:

Gabarito: D

Aqui vale uma ideia bem importante do processo penal constitucional: quem sofre a restrição da liberdade tem o direito de saber quem participou da sua prisão. Isso não é curiosidade de defesa, é instrumento para controlar a legalidade do ato, apurar eventuais abusos e permitir uma defesa minimamente eficaz. Em matéria penal, quando o Estado prende, ele precisa suportar um grau maior de transparência, especialmente se a defesa quer verificar como tudo aconteceu. A Constituição protege a ampla defesa e o contraditório (art. 5º, LV), e isso inclui acesso a informações relevantes para contestar a prisão e a imputação. Além disso, a própria lógica do Estado de Direito impede que a atuação estatal fique envolta em anonimato quando isso compromete a fiscalização do ato praticado. A segurança dos agentes é relevante, claro, mas não autoriza apagar a identidade de quem executou a prisão quando essa identificação é necessária para a defesa. Por isso, a recusa da Polícia Militar não se sustenta. Maria e João podiam exigir a identificação dos policiais que participaram da operação, justamente para exercer a defesa e checar possíveis irregularidades. Em provas da FGV, desconfie de respostas que tentam transformar "segurança institucional" em um cheque em branco para limitar direitos fundamentais. Em resumo: o Estado pode adotar medidas de proteção aos agentes, mas não pode usar isso para impedir o acusado de identificar quem efetivamente participou da sua prisão. A transparência aqui serve à defesa e ao controle da legalidade, então o gabarito correto é o que reconhece a ilegalidade da negativa.

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