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Direito Constitucional · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Constitucional

João, vereador no Município Beta, situado na Região Sul do país, compareceu em evento político realizado em Brasília e, durante um comício, fez duras críticas à gestão de determinado Ministro de Estado, as quais foram tidas como configuradoras de crime contra a honra. Nas circunstâncias indicadas, é correto afirmar que João:

Gabarito: E

Aqui a chave é separar imunidade material de vereador de imunidade de deputado e senador. Vereador tem inviolabilidade por suas opiniões, palavras e votos, mas essa proteção é bem mais estreita: ela vale apenas na circunscrição do Município e quando houver relação com o exercício do mandato, conforme o art. 29, VIII, da Constituição. No caso, João falou em Brasília, durante um comício, e fez críticas a um Ministro de Estado. Mesmo que a fala tenha conteúdo político, o fato de ter ocorrido fora do Município Beta já enfraquece a proteção constitucional. E, para completar, vereador não tem o regime de autorização prévia para processar nem a possibilidade de sustação do processo por Câmara Municipal, porque isso é típico do Estatuto dos parlamentares federais, não do vereador. Por isso, a fala pode sim configurar crime contra a honra e João pode ser processado normalmente, sem autorização da Câmara Municipal. O STF, ao interpretar o art. 29, VIII, costuma exigir nexo com o mandato e respeito ao limite territorial do município para reconhecer a imunidade material do vereador. Resumo de prova: vereador não ganha "capa de invisibilidade" fora do município. Se falar em outro lugar, fora da circunscrição, a imunidade material tende a não protegê-lo.

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