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Direito Constitucional · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Constitucional

João, filho de Maria, professora, nasceu prematuro e precisou ficar internado na UTI Neonatal por trinta dias. Como a licença-maternidade de Maria era de cento e vinte dias, ela precisaria retornar ao trabalho noventa dias após a alta hospitalar de seu bebê. Maria conversou com seu advogado para saber se teria direito a passar mais tempo com seu filho, fora do hospital, antes de retornar ao ofício. Considerando a situação de Maria e os direitos sociais previstos na Constituição da República de 1988, é correto afirmar que:

Gabarito: B

A licença-maternidade tem proteção constitucional no art. 7º, XVIII, da CF/88 e também na proteção à maternidade e à infância. A ideia central aqui é simples: não faz muito sentido a mãe gastar boa parte da licença com o bebê internado e, na prática, ficar com pouco tempo de convivência após a alta. A Constituição não pode ser lida de um jeito que transforme o direito em algo bonito no papel e quase inútil na vida real. Por isso, a jurisprudência do STF adotou uma leitura protetiva: em caso de internação prolongada do recém-nascido ou da mãe, o prazo da licença-maternidade deve ser contado a partir da alta hospitalar, para preservar a finalidade do benefício. Aqui entra a lógica da proibição de proteção deficiente, que serve para impedir que o Estado proteja menos do que deveria um direito fundamental social. A alternativa B está certa exatamente por isso: Maria pode pedir que o início da licença seja na data da alta de João. Assim, ela usufrui integralmente do período de convivência com o filho fora do hospital, que é a finalidade social da licença. Em prova, vale guardar a ideia-chave: não é um favor ao servidor nem uma concessão sentimental, é proteção constitucional à maternidade, à criança e à família, com interpretação conforme a dignidade da pessoa humana e a efetividade dos direitos sociais.

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