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Direito Constitucional · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Constitucional

Em razão de situação de iminente perigo público, certa autoridade pública utilizou durante dois dias um terreno pertencente a João, o que não acarretou qualquer dano à propriedade, já que nada existia no local. À luz da sistemática constitucional, a conduta da autoridade pública foi:

Gabarito: B

A questão trata da requisição administrativa, que é quando o Poder Público usa, de forma temporária, bens particulares em caso de perigo público iminente. O fundamento está no art. 5º, XXV, da Constituição: a autoridade pode usar a propriedade particular, com direito a indenização posterior se houver dano. Ou seja, a lógica não é “pedir licença antes”, e sim agir rápido para proteger o interesse coletivo. O detalhe que mata a questão é exatamente este: houve uso por dois dias, mas sem qualquer dano ao terreno. Como nada foi danificado e nem houve prejuízo patrimonial, não nasce dever de indenizar. A indenização na requisição não é automática; ela depende da existência de dano. Por isso, a conduta foi lícita. A Administração pode requisitar o bem em situação de perigo público iminente, e a Constituição autoriza essa intervenção direta sem necessidade de autorização prévia do dono. Se depois houver estrago, aí sim surge indenização. Sem dano, sem indenização. Em resumo: a banca quer que você lembre a fórmula clássica da requisição administrativa: perigo público iminente + uso temporário + indenização apenas se houver dano. É a resposta seca e constitucionalmente correta.

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