← Questões de Direito Constitucional

Direito Constitucional · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Constitucional

Edna, Deputada Federal, foi procurada por um grupo de ativistas políticas, que pretendiam a alteração da legislação previdenciária, de modo que a outorga de pensão por morte, em razão do falecimento de servidor público do sexo feminino, sendo devida ao cônjuge ou companheiro supérstite, do sexo masculino, estivesse condicionada à comprovação de invalidez e de dependência econômica desse último. Isso, no entanto, não ocorreria na hipótese inversa, vale dizer, quando o falecido fosse do sexo masculino e o beneficiário do sexo feminino. Em razão da consulta formulada, a assessoria de Edna, à luz da sistemática constitucional, respondeu, corretamente, que a fruição da pensão por morte, pelo cônjuge ou companheiro varão, deve se dar em condições:

Gabarito: C

A questão explora a ideia de igualdade entre homens e mulheres no Direito Constitucional. A Constituição, no art. 5, I, diz que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Isso vale também para benefícios previdenciários, inclusive a pensão por morte no regime próprio dos servidores públicos. Ou seja: o cônjuge ou companheiro varão não pode ser tratado com regras mais duras só por ser homem. Se a lei prevê determinado regime para a esposa ou companheira, o marido ou companheiro deve receber o mesmo tratamento, salvo se houver uma diferença realmente constitucionalmente justificada, o que não é o caso aqui. A pegadinha da questão está em tentar vender a desigualdade como se fosse "igualdade material" ou "ação afirmativa". Só que ação afirmativa serve para corrigir desigualdades concretas com fundamento legítimo, e não para criar restrição automática por sexo em benefício previdenciário. Aqui, a Constituição impõe igualdade formal entre os gêneros. Por isso, o gabarito é a letra C: a fruição da pensão por morte pelo cônjuge ou companheiro varão deve ocorrer em condições idênticas às do cônjuge ou companheiro supérstite do sexo feminino. O raciocínio é simples e muito cobrado em prova: onde a Constituição proíbe discriminação por sexo, a lei não pode inventar uma escadinha só para um dos lados.

Continue treinando

Questões relacionadas