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Direito Constitucional · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Constitucional

Joana, servidora pública do Município Alfa, após preencher os requisitos exigidos, requereu o recebimento de determinado benefício pecuniário previsto no regime jurídico da categoria. A autoridade competente indeferiu o pedido por escrito, sob o argumento de que, apesar de Joana ter preenchido os requisitos exigidos, era filiada a um partido político de oposição ao prefeito municipal. Considerando a ilegalidade praticada, que violou o seu direito líquido e certo e deixou de reconhecer o benefício que lhe era devido, Joana pode utilizar a seguinte ação constitucional:

Gabarito: D

Aqui a palavra-chave é direito líquido e certo violado por ato ilegal de autoridade. Quando a Administração nega um benefício que já era devido, mesmo com o preenchimento dos requisitos, o remédio constitucional típico é o mandado de segurança, previsto no art. 5º, LXIX, da Constituição e regulamentado pela Lei 12.016/2009. Ele serve justamente para proteger um direito comprovável de plano, sem necessidade de uma longa produção de provas. No caso, Joana não está pedindo algo abstrato nem uma investigação sobre dados pessoais. Ela quer apenas o reconhecimento de um benefício já previsto no regime jurídico, e o indeferimento ocorreu por motivo manifestamente ilegal: sua filiação partidária. Isso torna o ato administrativo ilegal e ofensivo a direito líquido e certo. O ponto central da questão é que o mandado de segurança é a ação adequada quando há ato de autoridade pública lesando direito comprovável por prova pré-constituída. Em prova de concurso, se aparecer indeferimento ilegal de vantagem funcional, pagamento de verba, licença, nomeação ou outro direito certo, acione mentalmente o MS. Ele é o clássico do "meu direito está pronto, só falta a autoridade cumprir". Por isso o gabarito é a letra D. As demais ações constitucionais não se encaixam no problema narrado, porque não há discussão sobre liberdade de locomoção, acesso a informações pessoais, controle popular de ato lesivo ao patrimônio público nem falta de norma regulamentadora.

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