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Direito Constitucional · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Constitucional

Determinado Juiz de Direito, titular de uma Vara de Família, apresentava baixa produtividade, demorando de modo irrazoável na realização de audiências e na prolação de decisões, o que vinha causando grande prejuízo ao interesse público. Afinal, inúmeros processos que ali tramitavam, a exemplo das ações de alimentos, exigiam decisão célere. À luz desse quadro, um influente político da região procurou seu advogado e perguntou se seria possível remover o Juiz, da referida Vara, contra a sua vontade. O advogado respondeu, corretamente, que as remoções dos Juízes de Direito:

Gabarito: E

A regra para magistrados é a inamovibilidade: em princípio, o juiz não pode ser removido de onde atua contra a vontade. Mas, como quase tudo no Direito Constitucional, há exceção quando o interesse público pede uma providência mais forte. Nessa hipótese, a Constituição permite a remoção compulsória do magistrado, desde que haja decisão fundamentada e ampla defesa. O ponto-chave da questão está no procedimento: não basta uma decisão qualquer, nem uma maioria simples. A Constituição Federal, no art. 93, VIII, prevê que a remoção, a disponibilidade e a aposentadoria do magistrado, por interesse público, dependem de decisão por voto da maioria absoluta do respectivo tribunal ou do CNJ, conforme o caso. Portanto, se a produtividade está muito baixa e isso compromete o serviço judicial, pode haver remoção compulsória, mas dentro desse rito constitucional. Perceba que a situação narrada não fala em punição criminal nem em improbidade administrativa. Aqui não se trata de pena, mas de medida administrativa relacionada ao interesse público e à boa prestação jurisdicional. A lógica é simples: o juiz não é um cargo fixo na parede; ele tem garantias, mas também deveres funcionais. Por isso, o gabarito é a letra E. Ela traduz exatamente a disciplina constitucional da remoção compulsória de magistrado por interesse público, com decisão da maioria absoluta do órgão colegiado competente.

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