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Direito Constitucional · FGV · 2013

Questão comentada de Direito Constitucional

Preocupado com a concorrência de eletrodomésticos produzidos na China e com o saldo da balança comercial, o Presidente da República, no dia 1º de abril, editou medida provisória determinando o aumento da alíquota do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para os produtos provenientes daquele país. Entretanto, passados 30 (trinta) dias, o Congresso Nacional rejeitou a medida provisória, não a convertendo em lei. Com base no caso acima, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: D

A medida provisória é um ato com força de lei, mas com vida curta e sob vigilância do Congresso. Ela nasce para casos de relevância e urgência, mas depende de aprovação parlamentar para se converter definitivamente em lei. Se isso não acontece, a regra é simples: a MP perde eficácia desde a edição, e o Congresso precisa resolver o que foi produzido enquanto ela valeu. O tema está no art. 62 da Constituição, especialmente nos parágrafos 3º e 11. No caso, o Congresso Nacional rejeitou a medida provisória dentro do prazo. Com a rejeição, ela deixa de produzir efeitos, e não cabe falar em prorrogação automática nem em nova chance imediata de reedição, porque a lógica constitucional é evitar que o Executivo repita indefinidamente um ato já recusado pelo Legislativo. Aqui, a separação de poderes entra em cena com sorriso amarelo: o Executivo propõe, o Congresso controla. O ponto decisivo para a alternativa correta é o seguinte: quando a MP perde eficácia por rejeição ou por decurso de prazo, o Congresso Nacional deve disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas dela decorrentes. Isso está no art. 62, § 3º. Se o decreto legislativo não for editado, a própria Constituição prevê solução subsidiária para preservar os efeitos já produzidos, mas a regra cobrada na questão é justamente a atuação do Congresso. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela reproduz a consequência constitucional adequada: perda de eficácia da medida provisória e necessidade de decreto legislativo para tratar dos efeitos jurídicos gerados enquanto ela esteve vigente.

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