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Direito Constitucional · FGV · 2013

Questão comentada de Direito Constitucional

Na ausência de lei federal estabelecendo normas gerais sobre proteção de ecossistemas ameaçados, determinado estado da Federação editou, no passado, a sua própria lei sobre o assunto, estabelecendo desde princípios e valores a serem observados até regras específicas sobre a exploração econômica de tais áreas. Criou, ainda, fiscalização efetiva em seu território e multou empresas e produtores que desrespeitaram a lei. Anos depois, a União edita lei contendo normas gerais sobre o tema e muitas de suas disposições conflitavam com a anterior lei estadual. Com relação a este caso, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

Aqui a chave está na competência legislativa concorrente em matéria ambiental. A Constituição, no art. 24, diz que a União edita normas gerais e os Estados podem suplementá-las. E tem o detalhe que cai muito: se ainda não existe lei federal sobre normas gerais, o Estado pode exercer competência plena, regulando o tema por inteiro, inclusive com regras específicas para proteger o meio ambiente e fiscalizar no seu território. Foi exatamente isso que ocorreu no caso. Como a União estava em silêncio no início, a lei estadual não nasceu inválida só por ser mais detalhada. Ao contrário, ela era válida naquele momento e podia até gerar multas e fiscalização, desde que respeitasse a competência constitucional do Estado. Depois, quando a União finalmente editou a lei com normas gerais, entra em cena o art. 24, parágrafo 4º: a superveniência da lei federal suspende a eficácia do que for contrário na lei estadual, e não elimina automaticamente toda a lei local. Em outras palavras, a lei estadual não vira poeira cósmica; ela só perde força naquilo que colidir com a norma geral federal. Esse é o ponto central que a banca quer testar. Então, o gabarito B está correto porque descreve exatamente essa lógica constitucional: competência plena do Estado na omissão da União, e suspensão da eficácia das disposições estaduais conflitantes depois da lei geral federal. É a dinâmica clássica da repartição de competências concorrentes, muito cobrada em prova e fácil de confundir com revogação total ou incompetência absoluta.

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