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Direito Constitucional · FCC · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

A Assembleia Legislativa de determinado Estado aprovou, e o Governador sancionou, projeto de lei de iniciativa de Deputado Estadual estabelecendo que as atividades de acompanhamento de disciplinas ofertadas na modalidade de ensino à distância, nas escolas públicas estaduais, deverão ser realizadas por professores contratados para esse fim, com carga horária específica para atividades presenciais e à distância e remuneração equivalente à dos professores dedicados com exclusividade a atividades presenciais. Diante da Constituição Federal e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a lei daí resultante

Gabarito: E

A questão trata de iniciativa legislativa e separação de poderes no âmbito estadual. Quando a lei mexe com organização administrativa, atribuições de órgãos, regime de servidores ou estrutura da Administração Pública, a iniciativa costuma ser privativa do Chefe do Poder Executivo. Isso vale por simetria constitucional: o modelo da CF deve ser reproduzido pelos Estados no processo legislativo, porque é regra de observância obrigatória. No caso, a lei estadual criou regras sobre como se dará o acompanhamento de disciplinas em EAD nas escolas públicas, com definição de contratação de professores, carga horária específica e remuneração. Isso interfere diretamente na organização e no funcionamento da Administração, além de impor despesas e disciplinar o regime de prestação do serviço público. O STF tem jurisprudência firme no sentido de que lei de iniciativa parlamentar não pode invadir esse espaço reservado ao Governador. O detalhe importante é este: a sanção do Governador não salva o vício de iniciativa quando a matéria é de iniciativa reservada. Ou seja, o fato de o Governador ter sancionado o projeto não transforma uma proposta inconstitucional em constitucional. Sanção não convalida usurpação de iniciativa privativa. Por isso, o gabarito é a letra E. A lei padece de inconstitucionalidade formal, porque viola regra constitucional de iniciativa privativa do Chefe do Executivo, aplicável aos Estados por reprodução obrigatória da Constituição Federal.

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