← Questões de Direito Constitucional

Direito Constitucional · FCC · 2021

Questão comentada de Direito Constitucional

Projeto de lei ordinária, de iniciativa de Deputado Estadual, instituindo a obrigatoriedade de instalação de câmeras de vigilância nos estabelecimentos de ensino da rede pública estadual, é aprovado na Assembleia Legislativa goiana e submetido à sanção governamental. O Governador do Estado opõe veto integral à lei, sob fundamento de inconstitucionalidade, por vício de iniciativa. Rejeitado o veto pelo voto de dois terços dos membros do órgão legislativo, a lei é promulgada e publicada, sendo, na sequência, proposta ação direta de inconstitucionalidade pelo Governador do Estado, perante o Tribunal de Justiça local, requerendo seja a lei declarada inconstitucional, pelo mesmo motivo que ensejara o veto. À luz da Constituição Federal, da Constituição do Estado de Goiás e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, referida ação direta de inconstitucionalidade é

Gabarito: A

Aqui a banca misturou duas discussões clássicas: iniciativa legislativa e controle de constitucionalidade. Nem toda lei que gera gasto para o Estado nasce com vício de iniciativa. O STF entende que a reserva de iniciativa do Chefe do Executivo é mais restrita: ela alcança, em regra, matérias sobre criação de cargos, estrutura e atribuições dos órgãos da Administração, e regime jurídico de servidores. Se a lei apenas impõe uma política pública ou uma providência administrativa, sem mexer nessa área nuclear, a iniciativa parlamentar pode ser válida. No caso, a lei sobre instalação de câmeras nas escolas públicas estaduais não trata da estrutura interna da Administração nem do regime de servidores. Ela estabelece uma obrigação administrativa, mas isso, por si só, não torna o projeto inconstitucional. Por isso, o fundamento do veto por vício de iniciativa não se sustenta. Em outras palavras: gerar despesa não é, automaticamente, pecado constitucional. Além disso, o veto foi rejeitado pelo quórum constitucionalmente exigido, e a lei foi regularmente promulgada. Então, na ação direta proposta no Tribunal de Justiça, não havia motivo para declarar a inconstitucionalidade pelo mesmo argumento usado no veto. Daí o gabarito A: a ADI é improcedente. Vale lembrar a lógica federativa do controle: o TJ julga a compatibilidade da lei estadual com a Constituição estadual, inclusive quando esta reproduz normas da Constituição Federal de observância obrigatória. E o fato de o Governador ter vetado a lei não impede a apreciação judicial, mas aqui o problema de fundo simplesmente não se confirma.

Continue treinando

Questões relacionadas