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Direito Constitucional · FCC · 2021

Questão comentada de Direito Constitucional

Deputado Estadual apresentou emenda a projeto de lei que dispõe sobre os contribuintes e as alíquotas das custas judiciais, de iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado respectivo. A emenda visa a estabelecer que são isentos do pagamento de custas os beneficiários de justiça gratuita representados por advogado por eles constituído, desde que haja impossibilidade de a Defensoria Pública atuar no local da prestação do serviço. À luz da Constituição Federal e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, acaso a lei venha a ser aprovada nesses moldes, haverá inconstitucionalidade decorrente de

Gabarito: A

Aqui a palavra-chave é acesso à Justiça. A Constituição garante assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos, no art. 5º, LXXIV. Esse direito não pode ser “apertado” por lei estadual a ponto de criar condição extra que a Constituição não trouxe. Em outras palavras: se a pessoa faz jus à gratuidade, o benefício não pode depender de a Defensoria Pública estar ou não disponível no local. O STF entende que a assistência jurídica gratuita não se limita à atuação da Defensoria Pública. Se o necessitado é assistido por advogado particular por ele constituído, isso não elimina o direito à gratuidade, desde que preenchidos os requisitos constitucionais. O foco é a hipossuficiência, não a etiqueta de quem assina a petição. Por isso, a emenda é inconstitucional porque restringe indevidamente o alcance da garantia fundamental. Ela cria uma condição adicional para a isenção de custas, condicionando o benefício à impossibilidade de atuação da Defensoria, o que não encontra respaldo na Constituição nem na jurisprudência do Supremo. Em resumo: a Constituição protege o necessitado, não o modelo de patrocínio processual. A gratuidade existe para remover barreiras ao Judiciário, e não para virar um teste de logística institucional.

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