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Direito Constitucional · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Direito Constitucional

A Constituição Federal de 1988, em seu art. 2.º, adota a tradicional separação de Poderes. Assim, o legislador constituinte garantiu relativa independência a cada um dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, como mecanismo apto a assegurar os fundamentos do Estado democrático de direito. Considerando que as constituições escritas foram concebidas com o objetivo precípuo de fixar instrumentos normativos de limitação do poder estatal, assinale a opção correta.

Gabarito: D

A Constituição de 1988 adota a separação de Poderes no art. 2.º, mas não como um isolamento total entre eles. A ideia é simples: cada Poder tem uma função típica, mas também pode praticar atos atípicos para viabilizar o funcionamento do Estado e manter o sistema em equilíbrio. É aquele clássico modelo de freios e contrapesos: ninguém manda sozinho, e ninguém fica totalmente travado. Na teoria constitucional, fala-se em independência orgânica e harmonia funcional. Independência quer dizer que um Poder não é subordinado ao outro; harmonia significa que eles atuam em cooperação e com controles recíprocos. Por isso, o Legislativo fiscaliza o Executivo, o Executivo pode participar do processo legislativo em algumas hipóteses, e o Judiciário também pratica atos administrativos e normativos internos quando necessário. A alternativa D está correta porque as imunidades parlamentares existem justamente para garantir a independência dos membros do Poder Legislativo no exercício do mandato, especialmente na fiscalização e no debate político. Elas não dão privilégio pessoal, mas proteção institucional, ligada ao art. 53 da Constituição Federal de 1988, que assegura liberdade e autonomia parlamentar. As demais alternativas erram ao transformar a separação de Poderes em subordinação, exigir autorização do Senado para funções atípicas, ou negar por completo a existência dessas funções excepcionais. Em concurso, desconfie sempre de palavras como "absoluta", "sempre" e "nunca": em Direito Constitucional, quase sempre elas escondem a pegadinha.

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