Rogério é casado com Cláudio e ambos são pais de João. Em razão de uma oportunidade de trabalho, Rogério passa a semana em Cabo Frio e volta para o Rio de Janeiro aos finais de semana para ficar com o marido e filho. Dois anos após o início das viagens de Rogério, ele passou a se relacionar, durante as semanas com Vitor, sendo publicamente reconhecido como seu companheiro em Cabo Frio e continuou casado com Cláudio, com o qual passava os finais de semana. A situação perdurou por oito anos, até que, em um acidente de carro, Rogério veio a falecer. Diante da situação hipotética e de acordo com o atual entendimento do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que
- A)seria possível o reconhecimento da união estável apenas se se tratasse de relacionamento heteroafetivo.
Errada. A orientação constitucional não distingue uniões homoafetivas e heteroafetivas para esse fim.
- B)não seria possível a configuração da união estável entre Rogério e Vitor, mas a este caberia metade da pensão por morte do INSS por ser daquele dependente.
Errada. A dependência previdenciária não supre a impossibilidade civil de união estável paralela.
- C)seria possível a configuração da união estável entre Rogério e Vitor, caso Rogério estivesse separado de fato de Cláudio.
Correta. Se houvesse separação de fato de Cláudio, seria possível reconhecer união estável com Vitor.
- D)seria possível a configuração da união estável entre Rogério e Vitor, caso Rogério convivesse em união estável com Cláudio.
Errada. União estável simultânea também configuraria paralelismo familiar vedado.
- E)é possível a configuração da união estável entre Rogério e Vitor considerando que a relação entre eles era pública, duradoura e contínua.
Errada. Publicidade, continuidade e duração não afastam o impedimento do casamento não separado de fato.
Gabarito: C
O STF não admite reconhecimento de união estável paralela a casamento válido sem separação de fato. Relação pública, contínua e duradoura não basta quando há impedimento matrimonial não superado.