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Direito Civil · VUNESP · 2023

Questão comentada de Direito Civil

Tício faleceu, deixando dois filhos maiores de idade e capazes e testamento. Não há controvérsia entre os filhos de Tício acerca da forma de partilha dos bens, e eles concordam com o cumprimento do testamento. Os filhos de Tício pretendem fazer um inventário extrajudicial e, para isso, contratam um advogado e comparecem perante um tabelião de notas competente. Acerca do caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Gabarito: B

A regra geral do CPC é simples: havendo herdeiros capazes e concordes, o inventário pode ser feito por escritura pública. O problema aparece quando existe testamento, porque aí entra uma cautela extra do sistema: antes da via extrajudicial, o testamento precisa passar pelo controle judicial, para evitar que a vontade do falecido seja ignorada ou que haja alguma nulidade escondida no meio do caminho. Por isso, a existência de testamento não fecha a porta do cartório de vez. A jurisprudência do STJ consolidou que o inventário extrajudicial continua possível, desde que o testamento tenha sido previamente registrado judicialmente ou que haja autorização expressa do juízo competente. É exatamente a lógica da alternativa B: primeiro se garante a regularidade do testamento, depois se permite a partilha em cartório. No caso narrado, os filhos são maiores, capazes, estão de acordo e querem cumprir o testamento. Então não há impedimento material para a via extrajudicial. O que falta é justamente a providência judicial prévia em relação ao testamento, sem a qual o tabelião não deve seguir adiante como se nada tivesse acontecido. Em resumo: capacidade + consenso ajudam muito, mas testamento exige essa “vistoria” judicial anterior. É uma daquelas situações em que o cartório entra depois que o juiz dá o sinal verde.

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