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Direito Civil · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Civil

Inês, viúva, sem herdeiros necessários, faz um testamento por meio de escritura pública deixando todo o seu patrimônio para Laura, sua melhor amiga, com o ônus de ser tutora e cuidadora de seu animal doméstico, Frajola. Sobre a hipótese, com base no ordenamento jurídico brasileiro, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

No testamento, a testadora pode impor encargos ao beneficiário, isto é, uma obrigação acessória ligada à liberalidade. Aqui, Inês deixou o patrimônio para Laura com o ônus de cuidar e ser tutora de Frajola. Isso é típico de encargo (modo), e não de condição ou termo: Laura recebe a herança imediatamente, mas com o dever de cumprir a determinação imposta no testamento. A lógica é simples: no encargo, não existe suspensão da aquisição nem do exercício do direito. A pessoa já recebe o bem, e depois responde pelo dever assumido. Essa é a leitura do Código Civil sobre as disposições testamentárias modais, em linha com a distinção clássica entre condição, termo e encargo. Por isso, a letra A está correta ao dizer que há encargo, sem suspensão da aquisição ou do exercício do direito, salvo se a própria testadora tivesse transformado isso expressamente em condição suspensiva. Como o enunciado fala em "ônus" de cuidar do animal, a ideia é justamente essa: um dever imposto à beneficiária, e não um evento futuro e certo que adie a eficácia do testamento. As demais alternativas trocam os conceitos. Em prova, a banca adora fazer esse pequeno truque semântico: muda "ônus" para parecer condição, termo ou motivo determinante, e aí o candidato escorrega. Aqui, a chave é lembrar que o encargo não impede a transmissão, apenas grava a liberalidade com uma obrigação.

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