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Direito Civil · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Civil

Ana, proprietária da Fazenda Boa Esperança de 40 hectares, é vizinha de Carlos, proprietário da Fazenda Santa Lúcia, de 20 hectares. A divisão de ambos os imóveis é marcada pelo leito de um córrego. Por conta de eventos desconhecidos, o córrego secou e seu leito se transformou em um pedaço de terra fértil. A respeito do leito do córrego seco é correto afirmar que

Gabarito: E

Quando um curso d'água serve de divisa entre dois imóveis e ele seca, a lógica do Direito Civil não é sair premiando quem tem a fazenda maior, nem quem chegar primeiro com uma cerca. O que importa é a linha divisória que já existia: ela acompanha o antigo leito, e cada imóvel se projeta até o meio do córrego seco. Isso decorre da disciplina dos limites entre imóveis lindeiros e da proteção da divisa natural. Em termos práticos, o córrego era a fronteira física; desaparecendo a água, a fronteira não some junto. Ela continua pelo eixo do antigo leito, mantendo a separação entre os dois proprietários. Por isso o gabarito é a letra E. A terra nova formada pelo secamento do córrego não vira prêmio de loteria imobiliária para o vizinho mais forte, nem para o primeiro que ocupar. A solução correta preserva a divisão original e faz a extensão dos imóveis avançar até o meio do leito seco. Na doutrina, isso é explicado como manutenção da linha divisória natural entre prédios contíguos. A banca costuma cobrar essa ideia com pegadinha de "aquisição por ocupação" ou de "proporção do tamanho das áreas", mas aqui o ponto central é a permanência da divisa pelo antigo curso d'água.

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