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Direito Civil · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Civil

Em razão de contrato de mandato, Ernesto recebeu procuração de Fernando, firmada em instrumento público, para praticar atos administrativos em seu nome. Apesar da omissão da procuração sobre poderes para substabelecer, Ernesto substabeleceu para seu colega de escritório Guilherme, por instrumento particular. Os atos praticados por Guilherme no exercício dos poderes substabelecidos:

Gabarito: B

No mandato, a regra importante é: se o mandatário substabelece sem ter autorização expressa, isso não faz desaparecer automaticamente os efeitos dos atos praticados pelo substabelecido. O Código Civil trata o substabelecimento com bastante pragmatismo: o mandante pode acabar vinculado pelos atos praticados em seu nome, mas isso não impede a responsabilização do mandatário que substabeleceu indevidamente ou escolheu mal a pessoa em quem confiou. Aqui, a procuração foi outorgada por instrumento público, mas o substabelecimento foi feito por instrumento particular. Isso, por si só, não invalida o ato. O ponto central é que a omissão sobre poderes para substabelecer não impede automaticamente a produção de efeitos perante Fernando, porque os atos do substabelecido podem vincular o mandante, preservada a possibilidade de responsabilização de Ernesto. É exatamente por isso que a alternativa B está correta: Fernando fica vinculado pelos atos de Guilherme, mas pode cobrar Ernesto se Guilherme agir culposamente. A lógica é de proteção do terceiro e de responsabilidade do mandatário pela escolha e pela condução do substabelecimento, o que aparece na disciplina dos arts. 667 e seguintes do Código Civil. Em resumo: o detalhe do instrumento particular é uma distração clássica. O que importa mesmo é a dinâmica do mandato e do substabelecimento, não um formalismo exagerado que a banca adora colocar para ver quem entra em pânico.

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