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Direito Civil · FGV · 2021

Questão comentada de Direito Civil

Marcos firmou contrato oneroso com a Administradora de Patrimônios Ltda., no qual cede a gestão do seu portfólio de investimentos à empresa contratada, com pacto adjeto de constituição de renda vitalícia a seu sobrinho Luiz, por instrumento particular. Nesse ajuste, a Administradora de Benefícios Ltda. assume a condição de rendeira, Marcos, a qualidade de rentista e Luiz, a de beneficiário. Por sua vez, Marcos reservou para si o direito de substituir Luiz, a qualquer tempo, por outro beneficiário. Considerando o arranjo exposto, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

A constituição de renda é um contrato em que alguém transfere bens ou valores para que outra pessoa lhe pague uma renda periódica, em favor próprio ou de terceiro. O Código Civil trata disso nos arts. 803 a 813, e a regra que cai muito em prova é simples: esse contrato exige escritura pública. É o artigo 807 do CC. Ou seja, não basta instrumento particular, mesmo que as partes estejam de acordo e o negócio pareça perfeitamente organizado no papel. Na questão, Marcos fez o ajuste por instrumento particular. Isso já derruba o contrato no ponto formal, porque a forma pública é requisito legal de validade. Em concurso, a FGV adora essa combinação: o enunciado joga um monte de detalhes bonitos, mas a resposta mora na forma do negócio. Às vezes o problema não está no conteúdo, e sim na roupa jurídica que o contrato vestiu. Por isso, o gabarito é a letra B. A nulidade aqui não decorre de ser renda vitalícia, nem de ser oneroso, mas do descumprimento da forma exigida em lei. Em outras palavras: vontade houve, mas faltou a solenidade exigida pelo Código Civil. E, em direito civil, quando a lei exige forma específica, ela não está pedindo gentileza, está exigindo validade.

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