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Direito Civil · FGV · 2017

Questão comentada de Direito Civil

Àvista de todos e sem o emprego de qualquer tipo de violência, o pequeno agricultor Joventino adentra terreno vazio, constrói ali sua moradia e uma pequena horta para seu sustento, mesmo sabendo que o terreno é de propriedade de terceiros. Sem ser incomodado, exerce posse mansa e pacífica por 2 (dois) anos, quando é expulso por um grupo armado comandado por Clodoaldo, proprietário do terreno, que só tomou conhecimento da presença de Joventino no imóvel no dia anterior à retomada. Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

Aqui a ideia central é simples: posse não depende de ser dono. Quem exerce poderes de fato sobre a coisa, com aparência de domínio, pode ser possuidor, ainda que saiba que o bem pertence a outra pessoa. No caso, Joventino entrou sem violência, construiu moradia e horta e ficou lá por 2 anos, exercendo posse direta e contínua. Isso basta para caracterizar posse, e não muda porque ele tinha ciência da propriedade alheia. O ponto decisivo é o esbulho: quando Clodoaldo retira Joventino do imóvel, ele pratica a turbação mais grave, que é a perda da posse por ato de terceiro. Nessa hipótese, a lei protege o possuidor esbulhado por meio da ação possessória adequada para recuperar a posse. O Código Civil, no art. 1.210, assegura ao possuidor o direito de ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado em caso de esbulho. Por isso, a alternativa correta é a C: Joventino, que estava na posse e foi expulso, deve ajuizar ação possessória contra Clodoaldo para reaver o imóvel. A discussão aqui não é propriedade, e sim proteção da posse. Em concurso, a banca gosta dessa separação: dono não é sinônimo de possuidor, e possuidor não precisa ser dono. As demais alternativas tropeçam em pontos clássicos. A violência não é requisito para haver esbulho, então não adianta dizer que a ausência de violência “salva” a situação. E o desforço imediato só cabe ao esbulhado, em legítima reação imediata e moderada, não ao proprietário que resolve retomar o bem por conta própria depois de saber do fato. Já os frutos e benfeitorias dependem da boa-fé possessória, e aqui Joventino sabia desde o início que o terreno era alheio, o que afasta essa conclusão.

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