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Direito Civil · FGV · 2016

Questão comentada de Direito Civil

Um servidor público federal em São Paulo viajou a serviço para Brasília, para uma inspeção, e cobriu todas as despesas com recursos próprios. Passados exatos 3 anos e 10 meses, o servidor formulou pedido na esfera administrativa de reembolso de despesas e pagamento das diárias de viagem. A decisão final no processo administrativo somente foi proferida 1 (um) ano e 6 (seis) meses após a formalização do pedido, negando o pleito. Diante desse fato, ele pretende ingressar com demanda para cobrar o referido valor. Considerando o exposto, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: B

Em matéria de cobrança contra a Fazenda Pública, a regra geral é a prescrição quinquenal do Decreto 20.910/1932. Ou seja: o servidor tem 5 anos para buscar judicialmente valores devidos pelo Poder Público, como reembolso de despesas e diárias de viagem. Aqui, portanto, não existe prazo de 3 anos nem de 10 anos, mas sim o prazo de 5 anos. O detalhe que derruba muita gente é o pedido na via administrativa. Pelo art. 4º do Decreto 20.910/1932, a prescrição não corre durante a tramitação do requerimento administrativo, voltando a correr depois da decisão final. Em linguagem de concurso: o relógio para enquanto o processo administrativo está andando. No caso narrado, o servidor esperou 3 anos e 10 meses para pedir administrativamente. Esse tempo conta normalmente. Mas, uma vez feito o pedido, a prescrição fica suspensa por 1 ano e 6 meses, até a decisão final negativa. Depois disso, o prazo volta a correr do ponto em que parou. Por isso o gabarito é a letra B: o prazo é de 5 anos, foi suspenso pelo requerimento administrativo e, com o indeferimento final, volta a correr contra o servidor. A banca FGV gosta bastante dessa leitura literal do art. 4º do Decreto 20.910/1932, em harmonia com a jurisprudência consolidada sobre a suspensão da prescrição na esfera administrativa.

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