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Direito Civil · FGV · 2016

Questão comentada de Direito Civil

Antônio deseja lavrar um testamento e deixar toda a sua herança para uma instituição de caridade que cuida de animais abandonados. O único parente de Antônio é seu irmão João, com quem almoça todos os domingos. Antônio não possui outros parentes nem cônjuge ou companheiro. Antônio procura você na condição de advogado e indaga se a vontade dele é tutelada pela lei. Diante da indagação de Antônio, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

No Direito das Sucessões, a primeira pergunta é sempre: existe herdeiro necessário? Se houver, a lei reserva a ele metade da herança, a chamada legítima, e o testador só pode dispor livremente da outra metade. Mas, se não houver descendentes, ascendentes ou cônjuge/companheiro, a liberdade testamentária fica bem maior: a pessoa pode destinar todo o patrimônio por testamento, inclusive para uma instituição de caridade. Isso decorre da lógica dos arts. 1.789 e 1.845 do Código Civil. No caso de Antônio, o único parente é o irmão João. Irmão não é herdeiro necessário. Ele pode até entrar na sucessão legítima, mas apenas se não houver testamento e na ordem legal de vocação hereditária. Como Antônio quer fazer testamento e não tem herdeiros necessários, não existe reserva obrigatória para o irmão. Então a vontade de Antônio é, sim, tutelada pela lei. Ele pode deixar toda a herança para a instituição de caridade que escolher, porque não há impedimento sucessório nesse cenário. Em linguagem bem direta: sem herdeiro necessário, o testador manda quase tudo no jogo. A banca adora confundir isso com parentes próximos, mas proximidade afetiva não cria reserva legal. Por isso o gabarito é a letra A. O irmão só herdaria se não houvesse testamento válido ou se houvesse alguma nulidade, e mesmo assim não por ser herdeiro necessário, mas por ser colateral na sucessão legítima.

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