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Direito Civil · FGV · 2015

Questão comentada de Direito Civil

João Henrique residia com sua companheira Natália em imóvel alugado a ele por Frederico pelo prazo certo de trinta meses, tendo como fiador Waldemar, pai de João Henrique. A união do casal, porém, chegou ao fim, de forma que João Henrique deixou o lar quando faltavam seis meses para o fim do prazo da locação. O locador e o fiador foram comunicados a respeito da saída de João Henrique do imóvel. Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: D

Aqui o ponto central é a Lei do Inquilinato. Quando há dissolução da união estável, a locação residencial não acaba: ela prossegue automaticamente com o cônjuge ou companheiro que permanecer no imóvel. É exatamente o que acontece com Natália, que fica no bem após a saída de João Henrique. Ou seja, o contrato continua de pé, sem necessidade de nova locação só por causa da separação. A pegadinha está na fiança. O fato de o fiador ser pai de João Henrique não muda a regra: Waldemar não perde a responsabilidade de forma imediata, mas pode se exonerar. Pela Lei 8.245/1991, ele tem 30 dias, contados do recebimento da notificação escrita da saída do locatário, para pedir a exoneração. Só que essa exoneração não é instantânea, porque a lei dá uma proteção ao locador. Mesmo após a notificação, o fiador continua responsável por mais 120 dias. Então, a fiança não some na hora; ela ainda produz efeitos por esse período. Por isso, a alternativa D está correta: a locação continua com Natália e Waldemar pode se exonerar no prazo legal, com eficácia diferida em 120 dias. É o tipo de questão em que a banca gosta de testar se você separa bem o destino do contrato de locação do destino da garantia.

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