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Direito Civil · FGV · 2012

Questão comentada de Direito Civil

Mauro, entristecido com a fuga das cadelinhas Lila e Gopi de sua residência, às quais dedicava grande carinho e afeição, promete uma vultosa recompensa para quem eventualmente viesse a encontrá-las. Ocorre que, no mesmo dia em que coloca os avisos públicos da recompensa, ao conversar privadamente com seu vizinho João, afirma que não irá, na realidade, dar a recompensa anunciada, embora assim o tenha prometido. Por coincidência, no dia seguinte, João encontra as cadelinhas passeando tranquilamente em seu quintal e as devolve imediatamente a Mauro. Neste caso, é correto afirmar que

Gabarito: B

A questão gira em torno da chamada reserva mental, prevista no art. 110 do Código Civil. A regra é simples: se alguém declara vontade, mas guarda em segredo a intenção contrária, essa reserva não invalida o ato, salvo se a outra parte conhecia essa intenção oculta. Ou seja, o Direito Civil não costuma premiar o famoso "falei, mas não quis". A vontade declarada vale, porque a segurança das relações depende do que foi manifestado para o mundo, e não do pensamento secreto de quem falou. Só que existe uma exceção importante, e é exatamente aqui que mora a resposta da questão: se o destinatário da declaração sabe da reserva mental, a manifestação não produz efeitos em relação a ele. No enunciado, Mauro anuncia publicamente a recompensa, mas depois confessa privadamente a João que não pretende pagar. Então João passa a saber da intenção real de Mauro antes de encontrar as cadelinhas. Nesse cenário, quando João encontra os animais, ele já não pode confiar legitimamente na promessa pública, porque conhecia a vontade interna contrária do prometente. Por isso, a manifestação de vontade no sentido da recompensa não subsiste em relação a João. Esse é o exato comando do art. 110 do CC: a reserva mental só é irrelevante se o destinatário não souber dela. Em concursos, a FGV adora trocar a regra pela exceção e testar se você percebeu quem sabia do quê. Aqui, o detalhe decisivo não é a promessa pública, mas o conhecimento prévio de João sobre a alteração da vontade de Mauro.

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