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Direito Civil · FCC · 2021

Questão comentada de Direito Civil

Vilma doou R$ 200.000,00 a José, que se apresentava como líder religioso e dizia a Vilma que tal doação lhe garantiria melhoras na sua vida profissional e pessoal. O numerário era fruto de poupança de uma vida inteira de Vilma, que é viúva e tem um filho, já maior e capaz. Meses depois, Vilma procura atendimento na Defensoria Pública mostrando arrependimento em relação à doação. Nesse caso,

Gabarito: C

A doação é um contrato liberal, mas não vira um cheque em branco para quem doa. O Código Civil limita esse ato em dois pontos importantes: você não pode doar todos os bens sem guardar parte ou renda suficiente para a própria subsistência (art. 548), e também não pode ultrapassar a parte disponível quando houver herdeiros necessários (art. 549, na chamada doação inoficiosa). No caso, Vilma doou R$ 200 mil, e o enunciado destaca que esse valor era fruto da poupança de uma vida inteira, além de ela ser viúva. A pista central é a possível ausência de reserva suficiente para o seu sustento. Isso encaixa na hipótese de nulidade do art. 548, porque a lei protege o doador contra uma liberalidade que o deixe sem meios mínimos de viver. A FCC gosta de confundir esse tema com doação inoficiosa. Mas aqui o problema não é, em primeiro plano, a ofensa à legítima do filho; é a falta de reserva para a subsistência da própria doadora. Por isso a alternativa C é a correta. Quanto ao prazo, o gabarito cobra o entendimento de que a pretensão de invalidar esse tipo de doação se submete ao prazo geral de 10 anos do art. 205 do Código Civil, na leitura tradicional cobrada em prova. Em resumo: doou demais, sem guardar o mínimo para si, a doação não se sustenta juridicamente.

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