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Direito Civil · CESPE/CEBRASPE · 2022

Questão comentada de Direito Civil

Endividada, Cecília vendeu, no ano de 2019, o seu carro para Margarete, pelo valor de R$ 15 mil. O estado de insolvência de Cecília era notório e de conhecimento de Margarete. Em 2020, Cecília contraiu de Rosilda uma dívida de R$ 10 mil, mas não a pagou. Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta.

Gabarito: B

Fraude contra credores é aquele tema clássico em que o devedor, já sem fôlego financeiro, tenta esvaziar o patrimônio para deixar o credor a ver navios. O Código Civil trata disso nos arts. 158 a 165: alguns negócios podem ser atacados quando prejudicam credores, especialmente se o devedor estava insolvente ou ficou insolvente com a operação. Mas tem um detalhe que a banca adora: para propor a ação pauliana, em regra, o credor precisa ser anterior ao ato fraudulento. Em outras palavras, quem já era credor na época da alienação tem legitimidade para pedir a anulação, porque foi lesado por aquele negócio. Quem só virou credor depois não pode usar esse caminho para desfazer negócio anterior. No caso, Cecília vendeu o carro em 2019, quando Rosilda ainda não era credora. A dívida com Rosilda surgiu só em 2020. Por isso, Rosilda não pode anular a venda por fraude contra credores, apesar de a insolvência de Cecília ser notória e conhecida por Margarete. O ponto decisivo aqui não é apenas a má-fé da compradora, mas também a anterioridade do crédito de Rosilda. Resumo de prova: fraude contra credores não é um "coringa" para todo credor entrar depois e desfazer negócio passado. A ação existe, mas exige os pressupostos legais, inclusive a condição de credor anterior ao ato impugnado.

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