O crime organizado no Brasil de hoje se tornou um dos problemas mais graves e de difícil solução para a sociedade, para o Estado e para os organismos de segurança internacional. Assinale a afirmativa que descreve corretamente ações à disposição do Estado brasileiro e das agências de segurança internacional para enfrentar o crime organizado interno e internacional.
- A)As prisões dos soldados rasos do crime organizado aprofundam suas relações com o mundo do crime nas instalações carcerárias, enquanto a debilidade da legislação para o enquadramento de crimes financeiros e da economia “cinza” nas agências de segurança internacional constitui um obstáculo para as redes globais do crime organizado.
Errada, porque embora a prisão de integrantes possa realmente fortalecer vínculos criminosos no cárcere, a menção às agências de segurança internacional e à legislação financeira está imprecisa e desconectada das competências reais descritas.
- B)O monitoramento pelo governo das atividades criminosas no país e fora dele é um dos recursos para a melhoria da segurança interna, enquanto o acompanhamento das importações, exportações e do trânsito de armas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) nos países membros colabora para o enfrentamento do crime organizado.
Certa, pois a inteligência nacional auxilia o combate ao crime organizado por meio do mapeamento de redes criminosas, e a cooperação da OEA na temática de armas é compatível com o enfrentamento transnacional do problema.
- C)O serviço de inteligência nacional possibilita o direcionamento das ações policiais contra o crime organizado, mapeando as redes criminosas no país, enquanto a Organização Internacional de Polícia Criminal (INTERPOL) fornece o contingente para intervenções militares.
Errada, porque a inteligência nacional não “dirige” ações policiais sozinha nesse sentido, e a INTERPOL não fornece contingente militar, mas cooperação policial e intercambio de informações.
- D)A polícia é a corporação do Estado apta a enfrentar o crime organizado no território nacional, enquanto as atividades criminosas internacionalizadas demandam a aprovação de operações para a manutenção da paz pela Assembleia Geral das Nações Unidas.
Errada, porque o enfrentamento do crime organizado não é exclusivo da polícia, e a manutenção da paz pela ONU não depende de aprovação da Assembleia Geral, mas do Conselho de Segurança.
- E)As medidas para legalizar a aquisição de armas de fogo e promover o controle de armamentos constituem uma política pública de segurança no cenário doméstico, enquanto, no plano dos organismos internacionais, esse tema só é objeto de regulamentação em casos comprovado de terrorismo.
Errada, porque controle de armas não se limita a casos de terrorismo, e a afirmação confunde política de segurança interna com uma restrição internacional que não existe nesses termos.
Gabarito: B
A questão mistura segurança interna, inteligência e cooperação internacional. No combate ao crime organizado, o Estado brasileiro não atua só com polícia na rua: ele também usa inteligência para mapear redes, identificar lideranças, rotas, lavagem de dinheiro e conexões entre grupos criminosos. Isso é importante porque organização criminosa não vive apenas de delito “visível”; ela depende de estrutura, comunicação, logística e fluxo de recursos. Do outro lado, o enfrentamento internacional exige cooperação entre países e organismos multilaterais. Um exemplo clássico é o controle de armas e munições, que aparece em instrumentos e mecanismos no âmbito da OEA, especialmente na agenda interamericana contra o tráfico ilícito de armas. Quando você lê a alternativa falando em acompanhamento de importações, exportações e trânsito de armas, isso conversa com essa lógica de controle transnacional. Por isso, o gabarito é a letra B: ela combina corretamente o uso de inteligência pelo governo brasileiro com a cooperação internacional voltada ao controle de armas. A ideia central é simples: crime organizado não respeita fronteiras, então o Estado também não pode ficar preso a uma atuação isolada. As demais alternativas escorregam ao trocar órgãos, atribuir funções erradas ou inventar competências que não existem. Em prova, a banca adora esse truque: ela coloca termos reais, mas mistura quem faz o quê. Aqui, o segredo é separar inteligência, polícia, organismos internacionais e operações de paz sem deixar a costura arrebentar.