← Questões de Legislação Federal

Legislação Federal · FGV · 2022

Questão comentada de Legislação Federal

Após denúncias encaminhadas pelo canal digital de órgão federal vinculado ao Ministério X, foi instaurado processo administrativo para apuração de eventuais ilícitos e sua autoria, inclusive com forte suspeita de prática de atos de corrupção ativa a servidores públicos. Em breve narrativa, a denúncia aponta que duas sociedades empresárias, através de seus sócios majoritários e com vínculo de parentesco colateral por consanguinidade, se utilizavam de combinação prévia de preços e condições para fraudar o caráter competitivo de procedimentos licitatórios públicos nas modalidades de concorrência e pregão. A investigação apurou que os sócios, todos não administradores, se utilizavam da autonomia subjetiva das pessoas jurídicas para manipular suas ações por meio dos atos de gestão dos administradores, beneficiando-se dos efeitos de tais atos. Na prática, verificou-se confusão patrimonial entre as duas sociedades empresárias diante do cumprimento, pela pessoa jurídica, reiteradamente, de obrigações particulares do sócio e dos administradores. Considerados os fatos narrados, a situação descrita autoriza:

Gabarito: A

A Lei nº 12.846/2013, a chamada Lei Anticorrupção, trata da responsabilização administrativa e civil da pessoa jurídica por atos lesivos contra a Administração Pública, nacional ou estrangeira. Um ponto importante é que a lei admite a desconsideração da personalidade jurídica quando houver abuso, com desvio de finalidade ou confusão patrimonial, para que sócios e administradores respondam pelos prejuízos causados. Isso está no art. 14 e conversa bem com o caso narrado, que descreve justamente uso da pessoa jurídica como escudo e confusão entre patrimônios. Mas atenção: essa desconsideração não nasce por simples vontade da Administração. A própria lei exige que ela seja decretada judicialmente, em ação própria, e com observância do contraditório e da ampla defesa. Ou seja, nada de atalho administrativo para “furar” a personalidade jurídica. A responsabilidade da empresa é objetiva no âmbito da lei, mas a extensão aos sócios depende dos requisitos legais e de decisão judicial. No caso da questão, a narrativa aponta confusão patrimonial, sócios se beneficiando de atos de gestão e uso da autonomia subjetiva das empresas para fraudar licitações e praticar ilícitos. Isso autoriza pedir a desconsideração da personalidade jurídica para alcançar os sócios pelos prejuízos causados à Administração, exatamente como prevê o art. 14 da Lei Anticorrupção. Por isso o gabarito é a letra A: ela é a única que combina a ideia correta de desconsideração com a necessidade de contraditório e ampla defesa prévios. A FGV costuma cobrar esse detalhe processual como uma pegadinha clássica: o instituto existe, mas não pode ser aplicado de forma automática ou sem decisão judicial.

Continue treinando

Questões relacionadas