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Legislação Federal · CESPE/CEBRASPE · 2023

Questão comentada de Legislação Federal

Devido a diagnóstico de grave problema renal, Antônio recebeu indicação médica de transplante renal. Após investigação com parentes, amigos e conhecidos, constatou-se que somente Luiz, vizinho de Antônio havia mais de trinta anos, tinha compatibilidade para o seguimento dos procedimentos cirúrgicos. Assim, Luiz, juridicamente capaz, concordou expressamente em realizar a doação do órgão. À luz da Lei n.º 9.434/1997 — Lei de Transplantes, é correto afirmar que, na situação hipotética apresentada, Luiz

Gabarito: C

A Lei 9.434/1997 permite a doação de órgão por pessoa viva, mas com freios bem claros, porque o corpo humano não é peça de reposição de loja. Em regra, a retirada de um dos rins é admitida, desde que a doação não comprometa a integridade física do doador nem coloque em risco suas aptidões vitais. O ponto decisivo aqui é que Luiz não é parente de Antônio, mas vizinho. Para doação entre vivos quando não houver parentesco até o quarto grau, a lei exige autorização judicial, mesmo que o doador seja maior, capaz e tenha consentido expressamente. Esse controle existe para coibir comércio de órgãos e garantir que a decisão seja realmente livre. Por isso, a alternativa C é a correta: Luiz pode doar um rim, mas precisa de autorização judicial, além da exigência de que a retirada não afete gravemente sua saúde. Esse é o desenho do art. 9º da Lei 9.434/1997, que trata da doação em vida. Outro detalhe importante: a doação de órgãos é ato gratuito. A lei veda qualquer pagamento ou vantagem econômica. Então, quando a banca mistura boa intenção com atalho jurídico, o candidato precisa desconfiar na hora.

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