No momento em que Josué assumiu a liderança da sociedade empresária herdada de seu pai, ele logo percebeu a ausência de processos formais de gestão do conhecimento. Preocupado com a iminente aposentadoria de colaboradores experientes e a consequente perda de conhecimento vital para a sociedade empresária, Josué tomou a decisão de implementar um programa robusto de gestão de conhecimento, estruturado em torno do modelo de “espiral do conhecimento”, visando à preservação do capital intelectual da organização. Considerando o modelo da “espiral do conhecimento”, é correto afirmar que, caso Josué vise
- A)à aquisição de conhecimento tácito, por meio da reprodução do conhecimento explícito, ele deve realizar a combinação.
Errada, porque combinação não cria conhecimento tácito a partir de conhecimento explícito; ela reúne conhecimentos explícitos em um novo formato explícito.
- B)à reformulação do conhecimento explícito, por meio da sistematização em mídias mais adequadas, ele deve realizar a externalização.
Errada, porque externalização não é mera sistematização em mídia, mas a conversão do conhecimento tácito em explícito.
- C)ao compartilhamento de conhecimentos tácitos entre os diversos colaboradores, por meio de treinamento, ele deve utilizar o processo de socialização.
Certa, porque socialização é justamente a transferência de conhecimento tácito entre pessoas, muito associada a convivência, observação e treinamento.
- D)à criação de novos conhecimentos explícitos, por meio da articulação e formalização do conhecimento tácito, ele deve utilizar a internalização.
Errada, porque internalização faz o caminho inverso: o conhecimento explícito é assimilado e vira conhecimento tácito na prática.
Gabarito: C
A “espiral do conhecimento”, de Nonaka e Takeuchi, explica como o conhecimento circula e se transforma dentro da organização. Ela trabalha com quatro movimentos clássicos: socialização, externalização, combinação e internalização. A ideia central é simples: conhecimento tácito é aquele da prática, do “jeito de fazer”, enquanto o explícito é o que pode ser registrado, explicado e documentado. Na socialização, o conhecimento tácito passa de pessoa para pessoa, normalmente por convivência, observação e treinamento prático. É o famoso “aprende olhando e fazendo junto”. Por isso, quando Josué quer preservar saberes que estão na cabeça dos colaboradores experientes e repassá-los a outros, ele está lidando com socialização. Já a externalização transforma conhecimento tácito em explícito, como quando alguém organiza a experiência em manuais, fluxos, relatórios ou modelos. A combinação junta conhecimentos explícitos diferentes para gerar outro conhecimento explícito mais estruturado. E a internalização ocorre quando o conhecimento explícito é absorvido pela prática, virando novo saber tácito. Assim, o gabarito é a letra C porque o treinamento é um meio típico de socialização: ele favorece a troca de conhecimento tácito entre colaboradores. A banca FGV costuma cobrar essa matriz SECI com inversões entre os pares tácito/explicito, então vale decorar o caminho básico para não cair na casca de banana.