De acordo com Robbins (2002, p. 327), “é impossível liderar pessoas que não confiam em você”. Ainda de acordo com o autor, o conceito de confiança se fundamenta em dimensões, dentre elas, a competência, que engloba as habilidades e conhecimentos técnicos e interpessoais do indivíduo. ROBBINS, S. P. Comportamento organizacional. 9.ed. São Paulo: Prentice-Hall, 2002 Por sua vez, Bergue (2019) comenta que há necessidade de se observar um perfil mínimo de competências quando se nomeia uma pessoa para um cargo em comissão. BERGUE, S. T. Gestão de pessoas: liderança e competências no setor público. Brasília: ENAP, 2019. Com base no raciocínio dos dois autores em conjunto, é correto afirmar que, no serviço público,
- A)a pessoa escolhida para cargo em comissão de liderança deverá trilhar as competências requeridas.
Errada, porque não é a pessoa que "trilha" as competências; o correto é que ela já tenha competências adequadas ao cargo, especialmente para liderar.
- B)é mais importante que a escolha por competências seja para o cargo em comissão, diferentemente da função de confiança, já que esta é restrita para os servidores públicos.
Errada, porque faz uma separação indevida entre cargo em comissão e função de confiança, e ainda traz uma restrição que não é o foco do raciocínio dos autores.
- C)a escolha do indivíduo para um cargo em comissão de liderança deve ser feita com consulta a seus pares.
Errada, porque a questão não exige consulta a pares como critério de nomeação, mas sim observação de confiança e competência para o exercício da liderança.
- D)cargo em comissão, liderança, confiança e competência precisam “andar juntos”.
Certa, porque resume a ideia central dos autores: liderança no serviço público depende de confiança, e a confiança está ligada à competência.
Gabarito: D
A questão mistura dois pontos que andam bem juntinhos na gestão de pessoas: confiança e competência. Para Robbins, confiar em alguém envolve, entre outras dimensões, perceber que a pessoa tem competência, ou seja, conhece o assunto, sabe fazer e tem habilidades técnicas e interpessoais para entregar resultado. No serviço público, isso ganha ainda mais peso quando se fala em cargo em comissão de liderança, porque não basta ocupar a posição: é preciso ter perfil mínimo de competências para conduzir pessoas e decisões com responsabilidade. Bergue reforça essa ideia ao defender que a nomeação para cargos em comissão deve observar competências compatíveis com a função, especialmente quando há liderança envolvida. Em outras palavras, nomear só por proximidade política ou confiança pessoal, sem olhar capacidade real, é receita para dor de cabeça administrativa. Por isso, o gabarito está correto ao afirmar que cargo em comissão, liderança, confiança e competência precisam "andar juntos". O enunciado pede exatamente a leitura combinada dos autores: se liderar exige confiança, e a confiança se apoia em competência, então a escolha de quem vai liderar no serviço público precisa considerar esses elementos de forma integrada. Em termos de prova, pense assim: cargo em comissão de liderança não é troféu de amizade, é função de gestão. Confiança sem competência vira aposta arriscada; competência sem confiança enfraquece a liderança. O ideal é equilíbrio entre as duas coisas.