Os autores estruturalistas – como Blau, Etzioni, Thompson e outros – trouxeram importantes aportes para o desenvolvimento do campo teórico da administração. Entre as contribuições trazidas, o estruturalismo apontou que os conflitos organizacionais não são disfuncionais, mas sim processos sociais fundamentais, propulsores da mudança e do desenvolvimento. Esses conflitos têm origem nos interesses e racionalidades divergentes dos grupos, gerando tensões e dilemas que não podem ser eliminados, pois são inerentes às relações de produção e constituintes da dinâmica organizacional. Na organização, um dos dilemas básicos é aquele entre:
- A)maximização de resultados e decisão satisfatória;
Errada, porque a teoria estruturalista não define esse dilema básico entre maximizar resultados e optar por decisão satisfatória, que remete mais a racionalidade limitada e comportamento administrativo.
- B)planejamento administrativo e iniciativa individual;
Certa, porque expressa a tensão clássica entre o planejamento e controle da organização e a iniciativa/autonomia dos indivíduos.
- C)burocracia normativa e burocracia híbrida;
Errada, porque essa oposição não corresponde aos dilemas estruturais clássicos discutidos por Blau, Etzioni e Thompson.
- D)autonomia gerencial e participação;
Errada, porque autonomia gerencial e participação podem ser temas administrativos relevantes, mas não são o dilema básico estruturalista cobrado aqui.
- E)cooptação informal e coerção.
Errada, porque cooptação e coerção são mecanismos de controle organizacional, não o par de dilema central pedido no enunciado.
Gabarito: B
O estruturalismo, em autores como Blau, Etzioni e Thompson, olha para a organização como um sistema cheio de grupos, objetivos e interesses que nem sempre caminham na mesma direção. Por isso, o conflito não aparece como uma falha do sistema, mas como algo normal da vida organizacional, quase como o “barulho de fundo” da empresa funcionando. Nessa visão, os dilemas organizacionais surgem porque a burocracia precisa coordenar, controlar e padronizar, enquanto as pessoas e os grupos querem espaço para agir, criar e decidir. Em outras palavras, a organização vive equilibrando forças opostas que não desaparecem, apenas são administradas. É justamente aí que entra o gabarito B. O dilema básico destacado na teoria estruturalista é entre planejamento administrativo e iniciativa individual: de um lado, a necessidade de organização formal, regras e previsibilidade; de outro, a autonomia e a ação espontânea das pessoas. Esse tipo de tensão é clássico na abordagem estruturalista e ajuda a entender por que o conflito pode gerar mudança e adaptação. Então, se a questão fala em dilema organizacional dentro do estruturalismo, pense na tensão entre controle formal e liberdade de ação. A banca gosta dessa ideia de equilíbrio instável, não de harmonia perfeita.