As novas formas de organização do trabalho têm privilegiado aspectos como a semi-autonomia, a flexibilidade e a inovação, inspiradas nos modelos sociotécnico e de competência. Sobre as novas formas de organização do trabalho, assinale a afirmativa correta.
- A)Geram, inexoravelmente, sofrimento mental.
Errada, porque as novas formas de organização do trabalho não geram sofrimento mental de modo inevitável; isso pode ocorrer, mas depende de como o modelo é implantado e gerido.
- B)Geram menor demanda de mão-de-obra qualificada, causando desemprego num primeiro momento.
Errada, porque essas formas tendem a valorizar mais qualificação, autonomia e aprendizagem, e não a reduzir a demanda por mão de obra qualificada.
- C)Acarretam novas implicações à saúde e segurança que demandam novas abordagens e ferramentas analíticas.
Certa, porque a flexibilização, a autonomia e a maior complexidade do trabalho criam novos riscos à saúde e segurança, exigindo novas formas de análise e prevenção.
- D)Geram aumento da flexibilização da mão-de-obra, diminuindo a necessidade de especialização do trabalhador.
Errada, porque flexibilidade não significa menos especialização; em geral, o trabalhador passa a precisar de mais competências técnicas, cognitivas e comportamentais.
- E)Não têm, necessariamente, relação direta com a busca de aumento da produtividade.
Errada, porque essas formas de organização costumam estar diretamente ligadas à busca de maior produtividade, inovação e adaptação competitiva.
Gabarito: C
As novas formas de organização do trabalho surgiram com a ideia de deixar o trabalho mais flexível, mais integrado e, muitas vezes, mais “inteligente”, combinando semi-autonomia, cooperação e adaptação constante. Isso aparece em modelos como o sociotécnico e também na lógica das competências, em que o trabalhador precisa decidir mais, aprender mais e se ajustar a mudanças rápidas. Na prática, esse tipo de organização não mexe só com produtividade e estrutura interna. Ele também altera a relação entre trabalho, saúde e segurança, porque aumenta a complexidade das tarefas, a responsabilidade individual e as exigências cognitivas e emocionais. Por isso, não basta olhar apenas para esforço físico ou acidente tradicional: é preciso usar novas ferramentas de análise dos riscos, inclusive psicossociais. É exatamente isso que torna a alternativa C correta. Quando o trabalho fica mais flexível e menos rígido, surgem novas implicações para a saúde e a सुरक्षा do trabalhador, demandando abordagens diferentes para entender carga mental, estresse, autonomia real, pressão por resultados e formas novas de adoecimento. A banca FGV gosta dessa leitura mais atual e menos simplista: não é que toda inovação no desenho do trabalho seja automaticamente boa ou ruim, mas ela traz efeitos novos que precisam ser medidos com outros instrumentos. Em outras palavras, mudou o trabalho, mudou também o jeito de proteger quem trabalha.