Ao lidar com questões coletivas nas organizações, a dimensão cultural é fundamental para o entendimento das dinâmicas que impactam processos e resultados. Ao considerarmos a influência de traços da cultura brasileira na cultura de algumas organizações, é possível perceber uma exacerbada valorização das relações entre líder e liderados; há uma relação de proximidade e de afeto nas relações pessoas, de forma que grupos de amizades acabam por se sobrepor à distribuição hierárquica de autoridade formal. Esse traço cultural é conhecido como
- A)aversão de conflito.
Errada, porque aversão de conflito se relaciona à tendência de evitar confrontos diretos, e o enunciado fala de relações pessoais e hierarquia informal.
- B)formalismo.
Errada, porque formalismo é o apego excessivo às normas e à aparência de regularidade, não a valorização de vínculos afetivos acima do organograma.
- C)personalismo.
Certa, porque descreve a valorização das relações pessoais, da proximidade e da amizade acima da autoridade formal, marca do personalismo.
- D)postura de espectador.
Errada, porque postura de espectador indica passividade e pouca iniciativa diante dos problemas, algo que não aparece no enunciado.
- E)pragmatismo.
Errada, porque pragmatismo se liga à busca de soluções práticas e resultados, sem relação direta com a primazia dos laços pessoais.
Gabarito: C
A questão trata de traços da cultura brasileira que aparecem dentro das organizações. Quando a banca fala em valorização excessiva da relação pessoal entre líder e liderados, proximidade afetiva, e até grupos de amizade se sobrepondo à hierarquia formal, ela está apontando para o personalismo. Nesse traço, a pessoa concreta pesa mais do que o cargo, a regra ou o procedimento. Em vez de a autoridade ser vista principalmente como função institucional, ela acaba sendo interpretada muito pela ligação pessoal, pelo carisma e pelos vínculos de confiança. Isso ajuda a entender por que algumas organizações reproduzem padrões em que “quem conhece quem” vale quase tanto quanto, ou mais do que, o organograma. É uma lógica muito estudada na literatura sobre cultura brasileira, especialmente em autores como Roberto DaMatta e Raymundo Faoro, que ajudam a explicar a força das relações pessoais na vida social e institucional do país. Por isso o gabarito é C. O enunciado descreve exatamente a priorização dos laços interpessoais sobre a estrutura formal de autoridade, característica clássica do personalismo. Não é um traço sobre evitar conflito, nem sobre excesso de regras ou sobre postura passiva. A pista principal está na palavra afetividade combinada com a sobreposição das amizades à hierarquia. Em prova da FGV, vale lembrar: quando o texto fala em redes pessoais, proximidade, favores, lealdade à pessoa e não ao cargo, pense logo em personalismo. A banca gosta de colocar isso em cenários organizacionais para ver se você separa cultura relacional de estrutura formal.