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Filosofia do Direito · FGV · 2022

Questão comentada de Filosofia do Direito

É significativo o debate no meio jurídico acerca dos limites e das possibilidades da utilização de argumentos consequencialistas para fundamentar uma decisão. O pragmatismo jurídico é uma corrente jusfilosófica que, em linhas gerais, sustenta que uma decisão deve ponderar as consequências, seja para buscar efeitos desejados, seja para evitar efeitos indesejados. Como correlatos do consequencialismo, o pragmatismo jurídico apresenta outras duas características: o antifundacionalismo e o contextualismo. Essas duas últimas características podem ser respectivamente entendidas como:

Gabarito: E

O pragmatismo jurídico parte de uma ideia simples: decidir bem não é repetir fórmulas, mas olhar para o que a decisão produz na prática. Por isso, ele aceita argumentos consequencialistas, isto é, argumentos sobre os efeitos concretos da decisão, positivos ou negativos. Em vez de tratar o direito como um bloco fechado de verdades prontas, essa corrente prefere testar soluções no mundo real. Aí entram duas marcas clássicas. O antifundacionalismo rejeita verdades jurídicas absolutas ou fundamentos intocáveis, como se toda solução já estivesse dada de antemão. Para o pragmatista, princípios e conceitos não são dogmas eternos: eles funcionam mais como hipóteses de trabalho, sempre passíveis de revisão. Já o contextualismo manda olhar para o caso concreto, para suas circunstâncias reais, e não para uma abstração solta no ar. É exatamente por isso que o gabarito é a letra E. Ela traduz bem essa lógica ao dizer que não há verdades preconcebidas e que todo princípio pode ser testado, o que combina com o antifundacionalismo. Depois, ao afirmar que as circunstâncias é que dimensionam o problema e orientam a busca da solução jurídica, ela descreve corretamente o contextualismo. Se quiser uma imagem mental: o pragmatismo jurídico não pergunta primeiro "qual é a teoria mais bonita?", mas "qual decisão funciona melhor aqui, neste caso, e com quais consequências?". A FGV gosta bastante dessa leitura prática e costuma misturar pragmatismo com ideias de eficiência, contexto e rejeição de respostas automáticas.

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