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Filosofia do Direito · FGV · 2018

Questão comentada de Filosofia do Direito

Uma punição só pode ser admitida na medida em que abre chances no sentido de evitar um mal maior. (Jeremy Bentham) Jeremy Bentham, em seu livro "Princípios da Moral e da Legislação", afirma que há quatro casos em que não se deve infligir uma punição. Assinale a opção que corresponde a um desses casos citados pelo autor na obra em referência.

Gabarito: B

Jeremy Bentham, no utilitarismo, olha para a punição com uma lógica bem prática: ela não existe para fazer sofrer por gosto, mas para produzir mais benefício social do que custo. Em linguagem direta, punir só faz sentido se ajudar a evitar um mal maior, como prevenir novos delitos, proteger a coletividade e desestimular condutas nocivas. Se a pena vira um mal pior do que o problema que ela pretende conter, ela perde a justificativa moral e jurídica. Em "Princípios da Moral e da Legislação", Bentham aponta hipóteses em que a punição não deve ser aplicada. A ideia central é simples: a pena precisa ser útil, necessária e proporcional ao fim buscado. Se ela não traz ganho real de prevenção ou produz mais sofrimento do que segurança, então não cumpre sua função utilitária. É exatamente por isso que o gabarito é a letra B. A alternativa descreve a situação em que o prejuízo causado pela punição supera o prejuízo que se quer evitar. Para Bentham, isso é um absurdo jurídico, porque a sanção deixaria de ser instrumento de proteção social e passaria a ser apenas um mal adicional. Em resumo: pena boa, para ele, é a que evita um mal maior; pena ruim é a que só aumenta o estrago. Esse raciocínio conversa bem com a lógica moderna da proporcionalidade, muito usada no Direito Penal contemporâneo. Mesmo que a obra de Bentham seja anterior, a ideia de que a intervenção punitiva deve ser necessária e não excessiva continua bem viva até hoje.

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