... só a vontade geral pode dirigir as forças do Estado de acordo com a finalidade de suas instituições, que é o bem comum... Jean-Jacques Rousseau A ideia de vontade geral, apresentada por Rousseau em seu livro Do Contrato Social, foi fundamental para o amadurecimento do conceito moderno de lei e de democracia. Assinale a opção que melhor expressa essa ideia conforme concebida por Rousseau no livro citado.
- A)A soma das vontades particulares.
Errada, porque a vontade geral não é a soma aritmética das vontades particulares, que pode continuar presa a interesses egoístas.
- B)A vontade de todos.
Errada, porque a vontade de todos é apenas a agregação de desejos individuais, sem garantir o bem comum.
- C)O interesse particular do soberano, após o contrato social.
Errada, porque o soberano em Rousseau não é um titular de interesse particular após o contrato, mas o próprio corpo político voltado ao comum.
- D)O interesse em comum ou o substrato em comum das diferenças.
Certa, porque expressa o interesse comum, aquilo que permanece compartilhado entre os cidadãos e orienta a lei para o bem comum.
Gabarito: D
Rousseau, no "Do Contrato Social", não está falando de uma simples soma de preferências individuais, nem de um empilhamento de interesses privados. A ideia de vontade geral é outra: ela aponta para aquilo que há de comum entre os cidadãos, isto é, o interesse coletivo que deve orientar a lei e a ação do Estado. Em vez de juntar vontades particulares como se fosse uma contabilidade política, Rousseau quer captar o que permanece comum depois que os interesses egoísticos são deixados de lado. Por isso, a vontade geral não é a "vontade de todos". A vontade de todos pode ser só a soma de desejos particulares, e essa soma pode continuar fragmentada e até contraditória. Já a vontade geral busca o bem comum e funciona como fundamento da legitimidade da lei. Em Rousseau, a lei só é legítima quando expressa essa vontade comum dos cidadãos enquanto corpo político. Essa ideia foi muito importante para a democracia moderna porque reforça que o poder político não deve servir a interesses privados, mas ao conjunto da sociedade. Em linguagem bem simples: não basta perguntar "o que cada um quer?"; é preciso perguntar "o que todos podem querer como comunidade?". É aí que entra o núcleo do pensamento rousseauniano. Assim, o gabarito é a letra D, porque ela traduz a vontade geral como o interesse em comum, o denominador comum entre as diferenças, e não como soma mecânica de vontades individuais. Essa é a chave do texto de Rousseau e o ponto que a FGV adora cobrar com uma casca de banana conceitual.