De acordo com o contratualismo proposto por Thomas Hobbes em sua obra Leviatã, o contrato social só é possível em função de uma lei da natureza que expresse, segundo o autor, a própria ideia de justiça. Assinale a opção que, segundo o autor na obra em referência, apresenta esta lei da natureza.
- A)Tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais.
Está errada porque essa formulação lembra mais a igualdade aristotélica ou a ideia de justiça distributiva, e não a lei natural central em Hobbes.
- B)Dar a cada um o que é seu.
Está errada porque 'dar a cada um o que é seu' é uma definição tradicional de justiça em outros autores, mas não a tese específica de Hobbes.
- C)Que os homens cumpram os pactos que celebrem.
Está certa porque, em Hobbes, a lei natural que sustenta a justiça é a obrigação de cumprir os pactos celebrados.
- D)Fazer o bem e evitar o mal.
Está errada porque 'fazer o bem e evitar o mal' remete à tradição moral clássica e tomista, não à fórmula hobbesiana sobre justiça.
Gabarito: C
No Leviatã, Hobbes parte da ideia de que, no estado de natureza, cada pessoa busca se preservar e vive em insegurança constante. Para sair desse cenário, os homens fazem um pacto e transferem seu poder a um soberano, criando a ordem civil. Mas, antes de existir Estado, já existe uma regra racional que orienta a vida em sociedade: cumprir os pactos firmados. Essa é a lei da natureza que interessa aqui. Para Hobbes, a justiça nasce quando há contrato e os acordos são respeitados. Sem isso, não há confiança, não há cooperação e, portanto, não há sociedade estável. Em resumo: a justiça hobbesiana não é uma ideia abstrata de equilíbrio moral, mas o dever de manter as promessas assumidas. Por isso, a alternativa correta é a letra C. Em linguagem bem direta: se você combinou, você cumpre. É essa fidelidade aos pactos que sustenta o contrato social e permite a passagem do caos para a ordem. A formulação é clássica em Hobbes: os pactos devem ser cumpridos, porque isso expressa a própria racionalidade da convivência humana.