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Direitos Humanos · FUNDEP (Gestão de Concursos) · 2022

Questão comentada de Direitos Humanos

O Ministério Público do Estado de Pernambuco, por meio do promotor de Justiça da Comarca de Itaíba-PE e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Estado de Pernambuco (MPE/PE/GAECO), ofereceu representação para que fosse ajuizado Incidente de Deslocamento de Competência para a investigação do crime de homicídio que estaria inserido em contexto de atuação de grupos de extermínio no interior do Estado de Pernambuco. Consta da referida representação que, há muito tempo, o Estado de Pernambuco “vem sofrendo sob o jugo dos coronéis, grupos de extermínio e da pistolagem”. Segundo o Ministério Público, na região de Itaíba-PE, “há evidente confusão entre poder político e poder de fato, o qual é estabelecido mediante violência empregada por grupos armados, compostos de ‘jagunços’, mantendo-se uma sociedade que muito se assemelha às do tempo do coronelismo retratado na história do país”, segundo relatório do Ministro Rogerio Schietti Cruz, no IDC nº 5 / PE. Nesse cenário, “a federalização das violações de direitos humanos cria um sistema salutar para combate a impunidades”, segundo o Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. Para o acolhimento do incidente de deslocamento de competência, é necessária

Gabarito: D

O Incidente de Deslocamento de Competência, previsto no art. 109, § 5º, da Constituição, é um mecanismo excepcional criado para permitir que determinados casos de grave violação de direitos humanos sejam deslocados para a Justiça Federal, quando houver risco de o Estado brasileiro não conseguir dar uma resposta adequada. A ideia é proteger direitos humanos sem transformar a regra em rotina, porque a competência local continua sendo a regra geral. O STF e o STJ tratam esse instrumento como algo de uso realmente excepcionalíssimo. Não basta existir um crime grave, nem apenas pressão social, nem mesmo a simples presença de violação de direitos humanos em tese. É preciso demonstrar a necessidade concreta do deslocamento, com fundamentação robusta, mostrando que a medida é indispensável para assegurar o cumprimento das obrigações internacionais do Brasil e evitar a impunidade. É por isso que a alternativa D está correta: o acolhimento do IDC exige a demonstração do caráter excepcionalíssimo de seu uso, com necessidade e imprescindibilidade. Em outras palavras, não é um atalho processual para qualquer caso rumoroso; é um remédio constitucional de uso raro, para situações em que a atuação da Justiça estadual se revele insuficiente diante da gravidade da violação. No caso descrito, a narrativa de grupos de extermínio, coronelismo e impunidade serve para mostrar o cenário de risco e justificar o pedido, mas o ponto jurídico central é esse filtro rigoroso de excepcionalidade. Se você lembrar de uma frase só, guarde esta: IDC não é automático, é excepcional e depende de prova forte da necessidade.

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